ORDEM DOS ADVOGADOS DE ANGOLA

ACTO DE TOMADA DE POSSE

CARGOS DE BASTONÁRIO E MEMBROS DOS CONSELHOS NACIONAL E PROVINCIAL DE LUANDA

INTERVENÇÃO DO BASTONÁRIO CESSANTE

13 DE JANEIRO DE 2006

 

AUDITÓRIO MARIA DO CARMO MEDINA

FACULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE AGOSTINHO NETO – LUANDA

 

 

Exmo. Senhor Presidente da Assembleia Nacional,

 

Meritíssimo Venerando Presidente do Tribunal Supremo,

 

Exmo. Senhor Ministro da Justiça,

 

Exmo. Senhor Ministro do Interior,

 

Exmo. Senhor Procurador-Geral da Justiça,

 

Exmo. Senhor Bastonário Manuel Gonçalves,

 

Exmo. Senhor Bastonário Inglês Pinto,

 

Excelentíssimos Senhores Governadores,

 

Excelências, Senhores Embaixadores e membros do Corpo Diplomático acreditado em Angola,

 


 

 

Excelências,

 

Estimados Convidados

 

Ilustres Colegas,

 

Fazemos hoje, dia 13 de Janeiro, a passagem formal de pastas para o Bastonário eleito, Dr. Inglês Pinto e, neste momento, permitam-me, em primeiro lugar, agradecer formalmente aos colegas da instituição que com a sua dedicação permitiram tornar proveitosa a minha passagem por esta casa.

 

Começo por destacar a Dra. Helena Cunha, que desde a constituição da Ordem dos Advogados de Angola tem sido exemplar com o seu dinamismo e saber na criação e desenvolvimento do Centro de Documentação e Informação e a Biblioteca. Fiz-lhe um pedido e simultaneamente um desafio logo após a minha tomada de posse, em 2003: que assumisse a Secretaria-geral da OAA e procedesse à organização de todos os serviços administrativos e financeiros da instituição. Aceitou com a condição de ser por apenas 6 meses, que se tem mantido até ao momento. A si, Dra. Helena Cunha, em nome do Conselho Nacional e em meu nome próprio, o nosso muito obrigado.

 

Estes cumprimentos e agradecimentos são extensivos aos trabalhadores dos serviços administrativos e do CDI da OAA porque sem eles nada poderia ser feito.

 

Destaco, igualmente, o papel do jovem advogado que se tem distinguido nesta instituição desde o tempo do Bastonário Manuel Gonçalves e que no meu mandato se tornou numa figura fundamental no funcionamento da OAA, o Dr. António Joaquim.

 

A sua eleição para o Conselho Nacional é um reconhecimento da sua dedicação e mérito. Estou convicto que dentro de pouco tempo assumirá um papel de maior destaque nesta instituição.

 

O seu exemplo, a sua dedicação e a forma como tem sabido superar as várias dificuldades que vão surgindo na sua vida pessoal e profissional são um exemplo para os outros colegas mais jovens que ingressam para a advocacia. O nosso muito obrigado.

 

À incontornável Dra. Pulquéria Bastos, que durante dois mandatos consecutivos assumiu a direcção do Conselho Provincial de Luanda, com profissionalismo, dedicação e honestidade, o nosso muito obrigado.

 

Aos colegas do Conselho Nacional que tiveram a paciência necessária para durante três anos consecutivos se dirigirem às instalações da Ordem para na 1a quinta feira de cada mês participarem nas reuniões ordinárias do Conselho, para além da sua sempre pronta disposição para o desempenho de outras funções e tarefas, o meu muito obrigado.

 

Destaco aqui, particularmente, o Dr. Machila dos Santos, Presidente do Conselho Provincial de Benguela, que apesar da distância e das dificuldades ainda existentes de comunicação inter-provincial invariavelmente participou em todas as reuniões do Conselho Nacional. O nosso muito obrigado.

 

Aos colegas do Conselho Provincial de Luanda vão igualmente os nossos agradecimentos pela forma como desempenharam as vossas tarefas durante o mandato que agora termina.

 

Apresento igualmente os meus agradecimentos ao Bastonário Manuel Gonçalves que ao logo deste tempo sempre demonstrou a sua prontidão e disponibilidade para prestar a colaboração necessária à direcção da OAA sempre que solicitado. O nosso muito Obrigado.

 

Apresento, em nome do Conselho Nacional, os nossos agradecimentos aos titulares dos distintos sectores da justiça que nestes três anos mantiveram com a OAA uma relação de permanente colaboração.

 

Ao Venerando Juiz Presidente e aos Venerandos Juizes do Tribunal Supremo os nossos agradecimentos, apesar de nem sempre ser fácil conciliar os interesses dos magistrados judiciais e dos advogados.

 

Aos colegas do Sindicato dos Magistrados Judiciais vai igualmente o nosso tributo pela vossa colaboração.

 

Ao Digníssimo Procurador Geral da República que desde a primeira hora se prontificou a colaborar com a OAA e assim o fez no processo de defesa dos direitos humanos, particularmente, no combate ao excesso de prisão preventiva: os nossos agradecimentos.

 

Ao Juiz Presidente do Tribunal Supremo Militar e ao Digníssimo Procurador Geral Militar vão também os nossos agradecimentos pelas relações de colaboração alcançados.

 

Ao Excelentíssimo Senhor Ministro do Interior e aos seus Serviços estendem-se os nossos cumprimentos pela forma pronta e colaborante como sempre respondeu às reclamações e pedidos de colaboração da Ordem dos Advogados.

 

Ao Excelentíssimo Senhor Ministro da Justiça, Dr. Manuel Aragão, ao Excelentíssimo Senhor Vice-Ministro, Alves Monteiro, nosso Mestre e Conselheiro e à Excelentíssima Senhora Vice-Ministra, Dra Guilhermina Prata, os nossos agradecimentos pelas óptimas relações de colaboração institucional conseguidas entre o Ministério da Justiça e a Ordem dos Advogados de Angola.

 

Aos Distintos Embaixadores acreditados em Angola os nossos agradecimentos pela colaboração prestada à nossa instituição.

 

Excelências,

 

Estimados Colegas,

 

Nesta hora da partida algumas e breves considerações sobre o estado da justiça no nosso país. É certo que muito tem sido feito no sentido de se alterarem as regras de funcionamento do nosso sistema de justiça e de se assegurar melhor a defesa dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos.

 

O processo de reforma está a decorrer mas estou convicto que muito há ainda por se fazer para que os angolanos possam viver com normalidade.

 

Não é possível manter-se por mais tempo a situação de autêntico “inferno” que vivem os cidadãos quando têm de tratar de algum assunto em qualquer serviço público. Hoje, infelizmente, o nosso país tornou-se um local onde nada ou quase nada se trata com normalidade. É necessário que o poder político trate esta questão com a profundidade e seriedade necessária para que se altere este estado de coisas.

 

É inconcebível que ainda haja detenções sem razão que as justifiquem e que os detidos não sejam levados ao ministério público para confirmar da legalidade ou não da detenção.

 

Não se pode tratar com espírito burocrático as questões referentes à liberdade dos cidadãos. Este bem precioso apenas pode ser posto em causa em situações excepcionais e, por estar razão, fazemos votos que a Lei de Prisão Preventiva seja rapidamente alterada bem como as outras normas legais que sejam diminutivas das liberdades e garantias dos cidadãos.

 

A Ordem dos Advogados tem um papel essencial na defesa da democracia, do estado de direito e dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos.

 

Fizemos muito ao longo dos anos de existência da nossa instituição mas muito há ainda por fazer.

 

Daí que à nova equipa que vai dirigir a OAA e a si particularmente, Ilustre Bastonário Dr. Manuel Vicente Inglês Pinto, vá a nossa solidariedade e os desejos dos melhores votos de sucessos. 

 

Sabemos que não será fácil e que certamente vários obstáculos se erguerão mas também estou convicto que melhor que ninguém conhece os dossiers complexos da OAA e saberá como dar sequência aos compromissos assumidos pela nossa instituição.

 

Afinal todos sabíamos que a sua eleição para Bastonário era apenas uma questão de tempo... Em 2002 quando o convidei a integrar a minha lista afirmei-lhe que não me iria candidatar  a um segundo mandato e que o Colega seria o próximo Bastonário. Afinal aqui estamos todos a confirmar o que naquela altura foi assumido como compromisso.

 

Na esteira do que vem acontecendo desde o surgimento da nossa instituição o ilustre Bastonário concorreu sozinho, o que tem mostrado que os Advogados em Angola têm dado um voto de confiança às candidaturas que se têm apresentado para liderar a OAA.

 

Estou convencido que apesar das críticas que eventualmente venham a surgir o que mais importa para todos nós e para os cidadãos é ver como estamos a dirigir a nossa instituição, a seriedade e honestidade dos nossos actos e o compromisso que temos com a verdade, a justiça, o direito e a defesa dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos.

 

Excelências,

 

Estimados Colegas,

 

Ontem, em reunião formal com o Bastonário Inglês Pinto procedemos à entrega simbólica das pastas relativas ao funcionamento da Ordem que se sintetizam nas seguintes:

 

1

Quadro Geral de Advogados e Advogados Estagiários

2

Finanças da Ordem em 30 de Novembro de 2005

3

Inventário do Património

4

Assistência Judiciária -  facturação

5

Mandato do Bastonário cessante na Imprensa

6

Sinopse de toda a correspondência entrada e saída

7

Livro de Actas do Conselho Nacional

8

Pedidos de Assistência Judiciária

9

Livro de Pareceres e Deliberações

10

Assembleias Gerais - Actas

 

 

Este trabalho foi efectuado por uma equipa constituída por quadros da OAA que trabalharam na instituição ao longo destes últimos anos e por outros colegas eleitos recentemente.

 

Fazemos hoje, igualmente, a entrega simbólica do Bastão, símbolo do poder conferido ao Bastonário e das chaves do Gabinete do Bastonário.

 

Quero mais uma vez dar os meus parabéns ao Bastonário Manuel Inglês Pinto e à sua equipa e desejar-lhes os melhores sucessos e felicidades.

 

Excelências,

 

Estimados Colegas,

 

Depois de um interregno de 6 anos a Revista da Ordem dos Advogados sai hoje novamente a público.

 

Em 1998 e 1999 a OAA lançou os números 1 e 2. Após a nossa eleição em 2003 tornamos como uma das nossas principais tarefas o relançamento deste órgão bem como a criação de um órgão informativo, a Gazeta do Advogado.

 

Esta é já uma realidade. Iniciada a sua actividade em Outubro de 2004, com uma tiragem trimestral a Gazeta do Advogado está neste momento no seu número 5, que abrange os períodos de Outubro a Dezembro de 2005.

 

O Conselho Nacional compreendendo a importância da Revista decidiu convidar para seu Director, o Bastonário Manuel Gonçalves, que de imediato aceitou o desafio.

 

Procedeu-se a uma reorganização do seu corpo redactorial e após muito trabalho e empenho finalmente aqui temos o resultado final; a edição da Revista n.º 3.

 

A Revista é um órgão essencial de estudo e investigação e deve merecer a melhor atenção de todos os advogados. Por esta razão mais uma apelamos a todos os Colegas para que participem com artigos e reflexões afim de melhorarmos a nossa cultura jurídica.

 

Muito Obrigado.

 

Luanda, 13 de Janeiro de 2006